sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Despedida

Vi em seus olhos negros uma tristeza infinita, longe de qualquer ponta de esperança. Estava esparramado sobre o tapete, como quem espera a morte cair em si. Seus olhos não alcançavam sequer os meus joelhos, tamanha era a tristeza que o envolvia.
No fundo, ele tinha plena noção do que estava acontecendo, já havia ficado sozinho antes, mas agora era diferente. Seria por dias...bem, talvez não inteiramente sozinho, haveria quem fosse cuidar de sua comida e bebida, talvez até passar algumas horas com ele, mas não importava quem quer que fosse, ainda não seria eu. 
O peito apertava a medida em que as malas eram colocadas no bagageiro. Senti vontade de desistir da viagem, mas seria injusto comigo mesma, depois de tanto me dedicar ao trabalho, deixar minhas férias de lado seria como me jogar de um precipício.
Ele ficou ali. Me observava quase me culpando. Não quis se levantar nem para se despedir de mim, senti como se uma espada estivesse atravessando meu peito.
O portão se fechou e minha última visão dele foi o olhar descontente que passava pelas frestas do portão e gritavam ensurdecendo o meu coração.


6 comentários:

  1. Eles são nossos melhores amigos, não nos cobram nada!
    Amo os animais, amo os cães, minha MEL é companheira nos momentos mais difíceis de minha vida, não larga de mim, está sempre ao meu lado e fala pelo olhar!
    Bjus e bom final de semana,querida!
    http://www.elianedelacerda.com

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  2. Olá, Andessa.
    Crônica linda, descreveu tão bem o sentimento que sentimos ao ter que sairmos e deixar nossos grandes amigos sozinhos. De segunda á sábado causo e sinto esse sentimento na minha querida Mel devido ter que ir estagiar. Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  3. Oi sei bem como é.
    Eles sentem quando vêem as malas.
    É impressionante.
    Belo escrito.
    Bjs

    Histórias, estórias e outras polêmicas

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  4. Nossa!! Como amamos nossos animais. É essa a sensação, você disse tudo, está doendo em mim também...
    Lindo e triste. bjs.

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  5. Oie Andressa =)

    O meu bebê não gosta de ficar sozinho... sempre fico com o coração na mão quando ele me olha com aqueles olhinhos tristes.

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  6. Não o que me deixou mais tocada, se foi o texto ou a foto, porque tenho um cachorrinho, o Nick, e eu não consigo vê-lo triste ou quietinha momento algum, então, busco sempre brincar, comprar brinquedinhos novos e mimar o quanto puder, sem me esquecer das regras, não é mesmo? Mas, o amor entre um animal e o ser humano é algo verdadeiro e forte demais, por isso, nos envolvemos tanto assim.

    Beijos, www.escritoraentre4paredes.com

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